Estamos habituados a pensar nas universidades como locais onde se produz conhecimento e onde se discutem ideias, de uma forma aberta, racional, bem educada e com boas maneiras.

É verdade que a boa educação nem sempre predominou e já assisti ao vivo a uma cena de pancadaria num gabinete universitário entre dois professores doutores de provecta idade. Mas tirando estes excessos ocasionais, o contributo que as universidades podem dar à sociedade é ao nível da descoberta de novo conhecimento e da sua divulgação e, em alguns casos, aplicação prática.

Bem, pelo menos foi assim até há pouco tempo. Nos últimos anos, a universidade começou a transformar-se de centro de conhecimento para fórum de activismo fundamentalista. Com o fundamentalismo, a boa educação desapareceu lentamente e a fúria, a raiva e a intolerância tornaram-se as suas faces mais visíveis.

Isso é especialmente relevante nos países anglo-saxónicos, a começar pelos EUA, onde uma corrente activista “woke” está a tentar dominar toda a vida universitária. O objectivo não é procurar a verdade, como era no passado, mas sim afirmar a sua “verdade”, não importando se ela é ou não verdadeira.

Este activismo encartado tem como consequência imediata a degradação das universidades enquanto centros produtores de saber. Mas tem também outras consequências curiosas. Uma delas está a emergir numa das mais conceituadas instituições norte-americanas, a Universidade de Princeton (ver https://lawliberty.org/calling-princetons-anti-racist-bluff/?utm_source=LAL+Updates&utm_campaign=3e864e6395-LAL_Daily_Updates&utm_medium=email&utm_term=0_53ee3e1605-3e864e6395-72424657).

O seu presidente, Christopher L. Eisgruber, pressionado pelo fundamentalismo activista, declarou publicamente que existia na universidade um “racismo sistémico”. Segundo ele, o primeiro responsável pela universidade desde 2013, “os pressupostos racistas do passado continuam impregnados nas estruturas da universidade” e por isso pediu um “plano para combater o racismo sistémico na universidade e fora dela”.

O resultado destas declarações foi que o Estado norte-americano lhe colocou um processo uma vez que houve o reconhecimento de práticas anti-racistas em Princeton pelo seu presidente nos últimos 7 anos e que, por esse motivo, a universidade não parecia estar a cumprir a lei.

O sr. Eisgruber encontra-se agora numa situação difícil. Por um lado, para agradar aos activistas fundamentalistas fez declarações agradáveis para os seus ouvidos. Por outro, e após o processo que foi colocado, veio dizer que não há racismo na Universidade de Princeton.

Perante isto, podemos pensar em duas hipóteses. Ou existem práticas racistas e contrárias à lei na Universidade de Princeton, e o seu presidente as tem permitido, e por isso tal facto deve ser investigado, ou então o seu presidente mentiu para ficar bem visto junto dos fundamentalistas, e isso terá as suas consequências (a mim parece-me óbvio que já se deveria ter demitido, mas isso é uma questão interna da universidade).

Qualquer que seja a solução, nunca será boa para a Universidade de Princeton, nem para os seus alunos. O prestígio da universidade já foi afectado e os alunos que não participam nos activismos fanáticos serão prejudicados por isso.

Tudo isto resultou do facto do presidente da universidade estar pouco preocupado com a verdade mas sim em ser simpático com fundamentalistas. Em Portugal tivemos um exemplo semelhante há alguns meses, com a proibição dos bifes na Universidade de Coimbra (local onde este tipo de fanatismo é financiado pelos portugueses).

Este é apenas mais um exemplo da intolerância que preside à actuação dos activistas. É a mesma intolerância que os activistas em Portugal praticam, inovação que foi introduzida no nosso país pelos comunistas do bloco de esquerda.

É a mesma intolerância da proibição dos livros azuis e rosa emitida por uma burocrata da Comissão para a Igualdade do Género e pelo Ministro Eduardo Cabrita.

É a mesma intolerância do Secretário de Estado da Educação João Costa quando promove uma pseudo-teoria do “género” como ensino científico e quer obrigar os alunos a assimilarem-na sob a pressão de perderem o ano. A teoria do género é uma consequência deste activismo fanático que já extravasou as universidades e se instalou na administração pública portuguesa.

Quando é que isto vai parar? Quando presidentes de universidades, ministros e outras pessoas com cargos de responsabilidade se portarem como pessoas adultas.